Campeonato Ibérico de Ori-Trail Rogaine 2026

Uma vitória no escalão de veteranos femininos e prestações competitivas nas categorias
masculina e de BTT marcaram a participação da Associação Desporto e Natureza de Sesimbra no
Campeonato Ibérico de Ori-Trail Rogaine, integrado no Bairrada “O” Meeting 2026.

Há provas em que correr não chega. É preciso saber ler o terreno, interpretar o mapa, escolher o
caminho certo e, acima de tudo, tomar decisões em equipa. Foi este o desafio que os atletas da
Associação Desporto e Natureza de Sesimbra (ADN Sesimbra) enfrentaram no passado dia 26 de
setembro, em mais uma edição do Campeonato Ibérico de Ori-Trail Rogaine, disputado na região da
Bairrada.

Organizada pelo Clube de Aventura da Bairrada, em parceria com entidades locais e as federações
portuguesa e espanhola de orientação, a competição teve em Cordinhã, no concelho de
Cantanhede, o seu centro nevrálgico, estendendo-se por várias localidades do município.

A dimensão da área de competição ajuda a perceber a exigência do desafio: 42 km² de terreno,
com um perímetro de 25 quilómetros, representados num mapa de cartografia típica da orientação
em BTT.

A diversidade da morfologia e dos elementos naturais exigiu dos participantes uma leitura atenta
do mapa e uma avaliação permanente das opções disponíveis. No rogaine, não existe um percurso
único a seguir: cada equipa tem de definir a sua própria estratégia, selecionando os postos de
controlo que pretende visitar e construindo o itinerário que considera mais vantajoso.

É aqui que a modalidade revela toda a sua complexidade. A distância percorrida, o desnível, o
tempo disponível e a pontuação de cada controlo têm de ser ponderados em conjunto. Um
percurso aparentemente mais curto nem sempre é o mais rentável, e uma decisão menos acertada
pode comprometer o resultado de horas de esforço.

Entre a vontade de somar mais pontos e a necessidade de gerir as energias, cada escolha conta. A
orientação transforma-se, assim, num exercício permanente de resistência, raciocínio e cooperação.

Foi neste contexto que os atletas da ADN Sesimbra demonstraram a sua capacidade competitiva,
com resultados que refletem o empenho e a experiência acumulada na modalidade.
Olga Paulino e M. Jesus Leão conquistaram o 1.º lugar no escalão de veteranos femininos (D40),
alcançando 137 pontos e concluindo a prova em 5h 52min. Uma vitória que premiou a estratégia e
a capacidade de gerir um desafio prolongado, no qual a precisão da navegação é tão importante
como a resistência física.

Na categoria de veteranos masculinos da orientação pedestre, Alexandre Nunes, Gonçalo Serra e
Rui Pereira alcançaram o 6.º lugar (H40)
, com 156 pontos, numa prestação que exigiu esforço,
concentração e decisões constantes ao longo da competição.

Também na vertente de BTT, António Neves, pela ADN Sesimbra, e António Rocha, pelo CIMO,
alcançaram o 5.º lugar no escalão de superveteranos masculinos (H55)
, somando 145 pontos e
terminando em 3h 38min.

Três equipas, diferentes desafios e um objetivo comum: explorar o terreno com inteligência,
superar as dificuldades e tirar o melhor partido de cada decisão.

O Campeonato Ibérico de Ori-Trail Rogaine voltou a evidenciar a singularidade de uma modalidade
que ultrapassa a dimensão puramente física. Aqui, a capacidade de correr ou pedalar tem de ser
acompanhada pela correta leitura do mapa, pelo planeamento e pela adaptação permanente às
condições do terreno.

Para a ADN Sesimbra, a participação fica marcada pela vitória no escalão feminino de veteranos e
pelos resultados alcançados nas restantes categorias, num evento que reuniu atletas, de Portugal e
Espanha, em torno da orientação e do desporto de natureza.
Porque, no rogaine, a meta não se conquista apenas com as pernas. Conquista-se também com a
cabeça, com a cumplicidade da equipa e com a capacidade de transformar cada decisão numa
oportunidade para chegar mais longe.

Jesus Leão

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