O Oriented Aguiar Rogaine Challenge (OARC) 2026 não foi apenas mais uma prova – foi uma
experiência intensa, quase simbólica, num terreno transformado. Num cenário profundamente
marcado pelos incêndios de 2025, a área de competição apresentou-se irreconhecível.
Esta edição assumiu um caráter especial, funcionando também como uma despedida simbólica
de uma zona considerada de referência para a prática da orientação. Onde antes
predominavam zonas densas e tecnicamente fechadas, surge agora uma paisagem crua e
aberta, o que, por um lado, facilitou a progressão no terreno, mas, por outro, exigiu uma
abordagem estratégica diferente por parte das equipas. A navegação tornou-se mais rápida em
algumas áreas, mas manteve níveis elevados de exigência na leitura do terreno e na escolha
de percursos, num equilíbrio entre velocidade e precisão. Como se não bastasse, o dia
ensolarado com temperatura elevada, acrescentou um extra de dificuldade. A gestão física
tornou-se tão decisiva quanto a estratégia.
Mais do que uma competição, o OARC 2026 destacou-se pela singularidade do seu cenário,
proporcionando aos atletas uma experiência irrepetível, entre afloramentos rochosos, grandes
blocos graníticos, por onde serpenteiam algumas linhas de água e trilhos expostos ao sol, uma
paisagem que conta a sua própria história de transformação.
A edição deste ano reforça a importância da adaptação constante às condições naturais e
sublinha o papel do desporto de orientação como uma atividade profundamente ligada ao
território.
Foi neste contexto que a Associação Desporto e Natureza de Sesimbra entrou em prova, no
dia 25 de abril, na abertura do calendário desportivo de Rogaine da Federação Portuguesa de
Orientação, com duas equipas de veteranos – uma feminina (M. Jesus Leão e Olga Paulino) e
uma masculina (Alexandre Nunes, Gonçalo Serra e Rui Pereira).
A equipa feminina teve uma boa prestação que lhe garantiu o 1.º lugar, numa prova de
consistência, estratégia e capacidade de leitura do terreno. A equipa masculina conseguiu
garantir o 3.º lugar, num desempenho marcado pela resiliência e pela capacidade de
adaptação às exigentes condições. Sempre competitivos, souberam gerir o esforço e manter-
se na luta pelos lugares cimeiros, até ao final.
Esta foi uma prova vivida com intensidade: dura, diferente e inesquecível, e a ADN Sesimbra
começou da melhor forma: no pódio, com ambição renovada para o calendário desportivo de
Rogaine que aí vem.
Jesus Leão


